Indelével

(ou Um poema para a Páscoa… marca indelével de Jesus humano em mim)  

Quero dizer o não-dito
Escrever o não-escrito
E criar uma episteme do ágape
Algo novo que more em um não-lugar
Será uma antropologia da super-modernidade?
Ou algo que está presente desde sempre na humanidade?
Não posso provar o que quero dizer
Nem com cortes epistemológicos
Nem com algum tipo de lobotomia ou de dissecação
Somente com jogos de linguagem
Posso descrever um que morreu de paixão
Por quem não merecia…
Tragédia insólita esta!
Que me aproximem da representação clássica
O que posso re-interpretar no meu hoje
Mas esse autor que escreveu tal história
Realmente não posso conhecer
Transcende-me em minha imanência, experiência… ausência!
Não me permite tocá-lo nem classificá-lo como meu desejo humano gostaria…
Estou desafiada pelos limites da minha interpretação
Pelo limiar do meu pensamento
Porque nem chego a ser um lector in fabula
Da obra tão aberta que ele fez!
Ao mesmo tempo, me vejo, me insiro e me transbordo
O Para-si torna-se Em-si em mim…
Talvez um dia consiga compreender em tempo refigurado
O que ele prefigurou
Configurou
E me amou ricoeurianamente.
Transfigurado se fez
Não há inter-pretium para tal fato!
Acampado e acompanhante em todo o tempo
Calam-se os poetas
Emborcam-se os tubos de ensaio
Multiplicam-se os não-ditos e os não-provados cientificamente
A vida se fez após a morte! Como explicar tal sorte?
Tractatus que me desculpe, mas o silêncio é fundamental.
Alessandra Viegas

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